terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Sobre o Papa Bento XVI: mais alguns comentários


Amigos,

Ainda com base na tal notícia falaciosa sobre o Papa Bento XVI, faltou esclarecer algo mais, além do que fiz em meu texto anterior. É dito, naquele texto do jornal, que o Papa Bento XVI teria sido “muito polêmico por causa de sua postura dura contra a ala progressista da Igreja”; e que ele não “era um Papa reformista, procurando maiores adesões para a Igreja, nem midiático como João Paulo II”. Vejamos a seguir.

Cada Papa tem seus próprios carismas, o que é uma riqueza para a Igreja. Logo, é inútil ficar comparando os Papas entre eles, se este era assim, aquele era de outro jeito... Deus conhece bem as características, carismas e aptidões de cada Papa – características que o próprio Senhor concedeu a cada um –, e os ajuda a cumprirem sua missão.

Nossa fé atesta que os Papas são escolhidos conforme a vontade de Deus, por inspiração do Espírito Santo aos cardeais que participam dos Conclaves. Logo, ficar criticando este ou aquele Papa, não tem sentido.

A missão de um Papa é governar a Igreja; ser o Vigário de Cristo; confirmar os irmãos na fé (cf. Lc 22,32). A Igreja procura manter diálogo com o mundo moderno sim, a fim de transmitir, de forma íntegra, o conteúdo da fé. Mas isso não significa aquiescer com esse mundo neo-pagão, abrindo mão de seus valores fundamentais, a fim de simplesmente juntar maior número de pessoas. Claro que a Igreja quer levar às pessoas a mensagem do Evangelho, a toda criatura (cf. Mc 16,15)! Mas lembremos que a Igreja não é empresa, que precisa ficar disputando “clientes” com seus “concorrentes”, a qualquer custo...

Há, na Igreja, unidade na diversidade. Os muitos bispos (sucessores dos Apóstolos) exprimem “a variedade e a universalidade do povo de Deus”, enquanto o Papa “exprime a unidade do rebanho de Cristo” (cf. CIC 885). Ou seja, há uma Igreja, onde todos concordam nos pontos fundamentais da fé. Logo, não deve haver ruptura ou disputa entre “alas”, na Igreja. Unidade na diversidade.

O Papa Bento XVI não é conservador1; é fiel à Cristo e à Igreja. Quem acha que a Igreja deve afrouxar em algo em relação ao conteúdo da fé, da doutrina, para se tornar mais atraente e chamar mais gente, não é e nem quer ser católico.

Há grupos propondo mudanças absurdas para a Igreja, como a ordenação de mulheres – o que o Papa João Paulo II já deu como assunto encerrado, irrevogável; ministrar desde já comunhão a católicos em segunda união, em desobediência direta à Igreja; entre outras coisas. Isto não é ser “ala tal” na Igreja; isto é não ser Igreja.

Também não houve descontinuidade entre os Pontificados dos Papas João Paulo II e Bento XVI; até porque o Papa João Paulo II sempre teve o Cardeal Ratzinger como estreito colaborador, desde 1981, na Congregação para a Doutrina da Fé. Quem coloca em contraposição estes dois Papas, não conhece a Igreja; logo, também não deveria se pronunciar a respeito da mesma.

Como bem disse o Papa há pouco tempo – comentado aqui no blog –, Cristo leva a verdade às pessoas; se isso provocar alguma ruptura, como na Sinagoga, naquela passagem narrada no Evangelho (Lc 4,21-30), é porque não acolheram a verdade. Se o próprio Cristo não conseguiu agradar a todos, será o Papa a faze-lo...? Ou então nós...? Querendo agradar a todos, a qualquer custo, corre-se o risco de desagradar a Deus...

Cristo foi crucificado. São Pedro também, de cabeça para baixo (vide figura). De certa forma, a missão de levar a verdade adiante, acarreta perseguições. Mas Jesus nos advertiu sobre isso também: “Então Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga’.” (cf. Mt 16.24); e ainda: “29 (...) ‘Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, 30 receberá cem vezes mais agora, durante esta vida – casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições – e, no mundo futuro, a vida eterna’.” (cf. Mc 10,29-30).
Martírio de São Pedro.
Diante da Boa Nova de Cristo, todos nós precisamos tomar uma decisão: ninguém fica indiferente. Alguns se decidem por Cristo; outros, contra Ele... É melhor que nossa decisão seja por Cristo.
É isso. Até a próxima! Firmes na fé! Fiéis à Igreja!


(Acrescentado em 03/07/2018):

1Conservador. Esclarecendo: o conservadorismo é um valor muito caro, pois dá a devida importância ao conhecimento e à cultura desenvolvidos, guardados e transmitidos ao longo das gerações; por exemplo: família como célula básica da sociedade, busca pelo conhecimento, fraternidade, valores morais, etc. Quando escrevi que o Papa Bento XVI não é conservador, tomei como base o significado deturpado que ideólogos dão a este termo: "conservador", como algo retrógrado, atrasado, que impediria (sic) o desenvolvimento e a modernidade, entre outras falácias. Não, neste sentido, ele não é conservador; aliás, conservadorismo não é nada disso, conforme explicado no início deste comentário.


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