terça-feira, 7 de agosto de 2012

Curiosity




Amigos,

Como vimos nos noticiários, a sonda Curiosity chegou ontem, dia 06/08, a Marte, e aterrissou com sucesso! Essa era uma grande expectativa, porque se algo desse errado... os planos da NASA poderiam ter terminado logo no início da missão. Quem tem acompanhado as notícias sobre o assunto, sabe que esta é uma missão que pretende descobrir sinais de vida no “planeta vermelho”.

Mas não esperemos encontrar marcianos verdes, ou outras figuras extraterrestres típicas, como mostradas por filmes de ficção científica... Quando falamos de vida, podemos nos referir a formas mais primitivas de vida, como microrganismos. A sonda é um sofisticado laboratório, que pretende buscar “sinais” – como a existência de elementos orgânicos – que indiquem a possibilidade de vida no planeta.

O que eu gostaria de destacar neste texto, é a questão da possibilidade de vida fora da Terra, em relação à fé. Ontem saiu uma notícia (em inglês) – cujo áudio também está disponível no link – de uma declaração do Pe. José Gabriel Funes, SJ, Diretor do Observatório do Vaticano, parabenizando o sucesso da missão! Comentou ainda sobre as questões entre fé e vida extraterrestre. Perguntado se os católicos, ou pessoas de outras crenças, teriam algo a temer sobre a possível descoberta da existência de vida extraterrestre, ou sobre exploração espacial em geral, ele respondeu que não, que nós não tememos a ciência, nem novos resultados ou descobertas; comentou também que a Igreja é comprometida com a pesquisa científica – razão pela qual mantém um observatório astronômico.

Seguem alguns links com conteúdo mais relacionado à sonda Curiosity, seja a missão, a sonda em si ou seu bem-sucedido pouso em Marte: um comentário em jornal de um astrônomo do Planetário do Rio de Janeiro; notícias revistas de divulgação científica, aqui, aqui e ainda aqui; e a página na NASA sobre a sonda Curiosity, com imagens coletadas após a aterrisagem, entre outras imagens (incluindo a alegria da equipe pelo sucesso da aterrisagem).

Quanto às questões entre a possibilidade de existência de vida extraterrestre e fé, segue um link interessante, com declarações do Pe. José Funes, SJ: uma matéria na página da Editora Cléofas, de Felipe Aquino, por ocasião do Workshop “The Evolving Universe”, ocorrido na Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro – PUC-RJ, em 2009. Creio que este último texto seja bem esclarecedor quanto às questões ligadas ao assunto entre a possibilidade de vida alienígena e fé! Começa com um breve resumo sobre os dois chamados do Pe. Funes, SJ, ou seja, a vocação para a ciência e para o sacerdócio, e continua com suas explicações acerca do diálogo entre ciência e fé, sobre a teoria do Big Bang, sobre a teoria da Evolução, e sobre a possibilidade de vida extreterrestre – tema principal deste último texto do blog. Nesse caso, ele comenta que ainda não se tem nenhuma prova da existência de vida alienígena, mas que isso não teria conflitos com fé. Bem, melhor vocês mesmos conferirem em seu texto.

Pretendo depois colocar mais informações sobre este tema, que tem nome na ciência: astrobiologia! Aguardemos.

Espero ter ajudado, mais uma vez!

Até o próximo texto, com a graça de Deus!

sábado, 4 de agosto de 2012

Nicole d'Oresme

Caros,

Há algum tempo eu havia lido algo sobre Nicole d’Oresme, mas ainda não tinha me dedicado a escrever algo sobre ele. Então, vamos lá. Nicole de’Oresme foi mais um homem do clero, com atuação importante na ciência. Viveu no século XIV, e entre outros feitos, inventou o gráfico! Exatamente, esta forma que tanto usamos hoje em dia para representar dados, com tanta naturalidade que nem percebemos.
Nascido em 1323, em 1359 tornou-se conselheiro do rei Charles V, da França, e bispo de Lisieux em 1377, pouco antes de sua morte em 1382. Quanto à ideia de representar dados numéricos graficamente, foi realmente uma percepção nova à época. Hoje sabemos o quanto os gráficos são úteis, em diversos campos do conhecimento – sendo usados até mesmo por pessoas que não são da área de exatas, e em alguns casos nem gostam de matemática... Porém, à época, ainda não havia esta noção. Não é muito fácil estabelecer um padrão, simplesmente olhando para números tabelados... Mas tudo fica mais fácil se os números são representados em um gráfico, onde pode-se vislumbrar uma curva que se ajuste aos dados. Vejam no exemplo a seguir:








Dados
1                     3,30
2                    3,90
3                    5,20
4                    6,00
5                    6,80
6                    7,10
7                    7,95


Os dados também podem se ajustar melhor a outros tipos de curvas, o que permite estimar a função que descreve o comportamento dos dados. Logo, podemos facilmente perceber um padrão nos dados, mesmo num primeiro momento, apenas visualmente. Pode-se dizer que Nicole d’Oresme uniu os números à geometria, permitindo uma melhor representação de dados numéricos.

Outra curiosidade, é que Nicole d’Oresme provou o conceito de velocidade média, em pleno século XIV! Havia já a ideia de que, dois corpos em movimento: um com velocidade constante, outro com aceleração constante; se a velocidade do primeiro tiver o valor médio entre as velocidades inicial e final do segundo corpo, ao final ambos terão percorrido a mesma distância. Porém, Nicole d’Oresme mostrou tal tese de forma gráfica. Vejamos; como dizem, uma imagem vale por mil palavras:



Seja a reta FD o valor da velocidade constante do primeiro corpo; e a reta AG, a velocidade variável do segundo. Como a aceleração deste é constante, a velocidade varia linearmente. É fácil ver que, se o valor da velocidade FD for a metade da diferença entre as velocidades G e A, a distância percorrida – equivalente às áreas sob as curvas – é a mesma.

Bem... mais um homem do clero contribuindo para a ciência, em pleno século XIV, bem antes da invenção do Cálculo!

Até a próxima!

Para os mais curiosos, consultar:




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Santo Inácio de Loyola e a Companhia de Jesus

Amigos,

Conforme eu comentei no texto anterior, o último dia 31 de julho foi o dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus – a ordem (congregação) religiosa dos Jesuítas. Todos já devem ter percebido que comento muito sobre os Jesuítas neste blog... também pudera, tivemos – e ainda temos – tantos de seus membros atuando em diversos campos da ciência, que torna-se muito natural falar deles em um blog que trata sobre o diálogo entre ciência e fé.

Ainda pouco tempo depois da celebração do dia de Santo Inácio, resolvi publicar mais este texto. Nascido em Loyola, na Espanha, em 1491, ainda jovem tornou-se militar. Ferido em um combate, precisou ficar algum tempo acamado, em recuperação, tempo este durante o qual tomou conhecimento sobre a vida de Jesus e de alguns santos. Ou seja, foi o período de sua conversão, ao fim do qual decidiu abandonar o serviço militar, abraçando uma causa nobre, a de levar a mensagem do Evangelho pelo mundo. Pode-se dizer que ele percebeu que teria uma batalha maior pela qual lutar: a da evangelização!

De sua carreira militar, Santo Inácio trouxe para sua espiritualidade o rigor e a disciplina típica dos militares. Todos sabemos que um bom combatente não se faz com “moleza”... mas sim com uma severa rotina de treinamento: muita preparação física, além do treinamento de combate; a disciplina é um forte fator na vida de um militar.

Pois bem: tudo isto Santo Inácio trouxe então para sua vida religiosa. Daí vêm seus famosos Exercícios Espirituais, que devem ser praticados com a mesma disciplina dos exercícios físicos de um militar. Um bom soldado ou combatente – agora podemos dizer, soldado de Cristo – precisa de uma disciplina espiritual, para suportar as dificuldades naturais de uma vida renovada em Cristo.

St. Ignatius of Loyola, por Peter Paul Rubens, anos 1600s.

Em 1540, o Papa Paulo III aprovou a fundação da nova ordem religiosa: a Companhia de Jesus. Sua fundação ocorreu em um período conturbado na Igreja, diante da reforma protestante, que tanta confusão criou entre os fiéis. A Igreja respondeu prontamente a este desafio, tarefa na qual os Jesuítas tiveram um papel importante, na defesa da fé.

A Companhia de Jesus teve características de atuação diversas, o que inclui sua forte atuação missionária; todos já ouvimos falar da vinda de missionários Jesuítas para o Brasil, em especial do hoje Beato José de Anchieta. Mas houve missionários em outras diversas partes do mundo, que à época estava sendo desbravado; para citar alguns: São Francisco Xavier percorreu a ìndia, Indonésia, Japão, chegando à China; Matteo Ricci foi missionário na China, onde realizou grande obra de evangelização, traduzindo diversos textos catequéticos, com fundamentos da fé Católica, além de ter contribuído com obras de caráter científico, como a elaboração de um mapa mundi, e a tradução de Elementos, de Euclides!
Mas eu gostaria de destacar algumas características mais relacionadas ao tema sobre ciência. Os Jesuítas tentaram levar a fé a diversos campos do conhecimento, estreitando o diálogo com a ciência e a cultura, de modo geral. Diversos de seus sacerdotes e/ou religiosos tiveram forte atuação científica; não somente tentavam manter diálogo com a ciência, a partir de sua posição como teólogos, mas diversos deles adquiriam também formação científica. É notável que tenha havido muitos Jesuítas com formação em matemática e astronomia, por exemplo. Não é meu objetivo, neste texto, detalhar os diversos casos pontuais, o que resultaria em um grande texto... quem sabe, aos poucos, eu consiga falar mais sobre alguns deles.
Entretanto, podemos lembrar do Pe. Clavius, SJ, sobre o qual já comentei aqui neste blog, neste texto e também neste outro. No primeiro eu comentei sobre a reforma do calendário, do Juliano para o Gregoriano, no que Pe. Clavius, SJ, também matemático, teve importante participação; no segundo, comentei um pouco mais sobre a vida deste sacerdote cientista. Na mensagem anterior do blog, publiquei uma lista dos diversos Jesuítas cientistas cujos nomes foram dados a crateras lunares! Lembremos ainda do Pe. Georges Lemaître, SJ, também comentado aqui no blog, que podemos assim chamar de “Pai da teoria do Big Bang”, conforme Conferência realizada em Portugal em 2009, por Dominique Lambert, biógrafo do Pe. Lemaître, SJ.
Outro fato que gostaria de comentar é sobre o Observatório do Vaticano, um dos mais antigos observatórios astronômicos do mundo! Seu corpo de cientistas é composto por sacerdotes e/ou religiosos, principalmente Jesuítas, mas também oriundos de outras ordens religiosas, como Barnabitas, Agostinianos e Oratorianos. Para a maioria das pessoas, que crescem sob a fúria de anti-cristãos que nos ensinam nas escolas que Igreja seria contra a ciência e o desenvolvimento, que seria obscurantista, entre outras falácias... deve ser um choque saber que a Igreja se preocupou – e se preocupa – com a ciência; especialmente astronomia! Sim, astronomia, que muitos infelizmente pensam desbancar a crença em Deus Criador... pelo contrário! A teoria do Big Bang em nada ataca a nossa fé, e foi proposta por um sacerdote!
Claro, sabemos que houve problemas cometidos por alguns homens da Igreja; assim como também por homens da ciência... Mas tudo deve ser julgado dentro do contexto histórico de cada época. Hoje a Igreja compreende que a Bíblia não pode ser entendida como fonte de descrições científicas da criação do mundo e da vida; antes, contém verdades de fé. Ninguém na Igreja interpreta os textos do Livro do Gênesis literalmente. E as verdades de fé não se contrapõem às descrições científicas acerca da criação do mundo e da vida; até mesmo porque cada uma atua em sua esfera, não avançando umas sobre as outras. Antes, se complementam.
Outro fator interessante é a atuação dos Jesuítas na educação, desde os primeiros anos da ordem. No final do século XVI, já havia 372 colégios. Hoje há diversos colégios e universidades dos Jesuítas ao redor do mundo. Como exemplos bem próximos a nós, hoje, temos aqui no Rio de Janeiro o Colégio Santo Inácio e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-RJ.
Como se trata de um texto especificamente sobre os Jesuítas e seu fundador, Santo Inácio de Loyola, cito aqui novamente o site internacional dos Jesuítas, e o recém-criado site dos Jesuítas no Brasil.
Conforme for possível, como já disse anteriormente, pretendo escrever sobre a vida destes homens de fé e de ciência, ou melhor, de fé e de razão; não somente Jesuítas.
Mais uma vez, sintam-se convidados a comentar os textos do blog! Lembrem-se de que vocês podem contribuir com informações importantes!
Até o próximo texto!


(Modificado em 31/07/2013):
Imagem substituída.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Crateras da Lua com nomes de Jesuítas!

Amigos,

Conforme eu costumo comentar nos textos do blog, houve – e ainda há – muitos sacerdotes e/ou religiosos com forte atuação em diversos campos da ciência; com destaque para os Jesuítas. No último dia 31 de julho foi o dia de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus – a ordem (congregação) religiosa dos Jesuítas. Cito aqui o site internacional dos Jesuítas, e o recém-criado site dos Jesuítas no Brasil, conforme divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB.

Resolvi citar a lista das diversas crateras lunares nomeadas em sua homenagem! Dentre os diversos campos da ciência em que os Jesuítas atuaram, destaca-se a matemática e a astronomia. No caso da Lua, especificamente, dois Jesuítas contribuíram com talvez o mais antigo selenógrafo, um mapa da superfície lunar: Jean-Baptiste Riccioli, SJ, e Francesco Grimaldi, SJ, durante o século XVII.

Cerca de 40 Jesuítas tiveram seus nomes dados a crateras lunares, porém algumas foram renomeadas, e atualmente somente 35 permanecem. Em 1922 foi criada a União Astronômica Internacional (International Astronomical Union - IAU), que codificou as crateras, eliminando conflitos. Os 35 nomes de Jesuítas foram mantidos desde então.

Nada mais justo que estes homens, que tanto contribuíram para a ciência, em especial para a astronomia, tenham tido seus nomes dados a crateras lunares! E que satisfação para nós, que partilhamos do diálogo entre ciência e fé, saber que há tantas crateras lunares com nomes de... Jesuítas!

Já comentei aqui no blog sobre o Pe. Clavius, SJ, sacerdote Jesuíta matemático que viveu entre os séculos XVI e XVII, e que esteve à frente do grupo que modificou o calendário, do então Juliano para o atual Gregoriano. Naquele texto anterior, em mostrei a cratera lunar nomeada em sua homenagem; mostrei também o link para o aplicativo Google Moon, onde se pode “navegar” pelo mapa da Lua. Uma das opções que achei bem interessante, é visualizar o mapa no formato “Elevação”, que é um mapa topográfico da superfície lunar, ou seja, um mapa com legenda de cores para a altitude; pode-se ver as alturas e profundidades das diversas regiões da Lua. Mas há outras opções de navegação também, à escolha de cada um.

Já andei “navegando” por lá, e encontrei algumas das crateras com nomes de Jesuítas! Convido você a também “navegar” um pouco por lá... afinal, você que acessou este texto agora, já sabia que havia crateras lunares com nomes de Jesuítas...?

Então bom proveito, e boa navegação! Aproveite também para divulgar esta maravilhosa notícia!

Crateras lunares com nomes de sacerdotes e/ou religiosos:


1.       Mario Bettini, italiano (1582-1657) – Cratera: Bettinus

2.       Jacques de Billy, francês (1602-1679) – Cratera: Billy

3.       Giuseppe Biancani, italiano (1566-1624) – Cratera: Blancanus

4.       Roger J. Boscovich, croata (1711-1787) – Cratera: Boscovich

5.       Nicolas Cabei, italiano (1586-1650) – Cratera: Cabeus.

6.       Christopher Clavius, alemão (1538-1612) – Cratera: Clavius.

7.       Jean-Baptiste Cysat, suíço (1588-1657) – Cratera: Cysatus.

8.       Gyula Fenyi, húngaro (1845-1927) – Cratera: Fenyi.

9.       George Fournier, francês (1595-1652) – Cratera: Furnerius

10.   Francesco Grimaldi, italiano (1613-1663) – Cratera: Grimaldi

11.   Christoph Griemberger, suíço (1564-1636) – Cratera: Gruemberger

12.   Johann Georg Hagen, austríaco (1847-1930) – Cratera: Hagen

13.   Maximillian Hell, húngaro (1720-1792) – Cratera: Hell

14.   Athanasius Kircher, alemão (1602-1680) – Cratera: Kircher

15.   Fancis X. Kugler, alemão (1862-1929) – Cratera: Kugler

16.   Charles Malapert, francês (1580-1630) – Cratera: Malapert

17.   Christian Mayer, alemão (1719-1783) – Cratera: Mayer

18.   Paul McNally, americano (1890-1955) – Cratera: McNally

19.   Theodore Moretus, belga (1601-1667) – Cratera: Moretus

20.   Denis Petau, francês (1583-1652) – Cratera: Petavius

21.   Jean-Baptiste Riccioli, italiano (1598-1671) – Cratera: Riccioli

22.   Matteo Ricci, italiano (1552-1610) – Cratera: Riccius

23.   Rodes*, húngaro (1881-1939) – Cratera: Rodes

24.   Romana*, espanhol (?) - Cratera: Romana

25.   Christophe Scheiner, alemão (1575-1650) – Cratera: Scheiner

26.   George Schomberger, alemão (1597-1645) – Cratera: Schomberger

27.   Ange Secchi, italiano (1818-1878) – Cratera: Secchi

28.   Hughues Semple, escocês (1596-1654) – Cratera: Simpelius

29.   Gerolamo Sirsalis, italiano (1584-1654) – Cratera: Sirsalis

30.   Johan Stein (1871-1951) – Cratera: Stein

31.   Andre Tacquet, belga (1612-1660) – Cratera: Tacquet

32.   Adam Tannerus, austríaco (1572-1632) – Cratera: Tannerus

33.   François de Vico, francês (1805-1848) – Cratera: De Vico

34.   Nicolas Zucchi, italiano (1586-1670) – Cratera: Zucchius

35.   Jean-Baptiste Zupi (1590-1650) – Cratera: Zupus

sábado, 28 de julho de 2012

Convite à participação

Amigos,

De vez em quando, alguém curte a página do blog no facebook; alguns já conhecidos, outros ainda não... Fico feliz por todos os que curtem a página do blog no facebook, pelos que têm participado ativamente comentando o blog, e pelo grande número de acessos que o blog tem recebido! E são acessos também de fora do Brasil! Como alguns países se repetem no acesso, imagino que sejam brasileiros morando fora, além de portugueses e pessoas de outros países de língua portuguesa, já que o blog é em português; e pelo jeito se mantêm fiéis no acesso! Como seria bom se essa pessoas que vêm acessando o blog, também participassem com comentários! O blog só teria a crescer!

Sua participação é bem-vinda! Você que também partilha dos mesmos interesses, tem muito a enriquecer este blog com sugestões e comentários!

Aguardo vocês!

sábado, 21 de julho de 2012

O que é o “nada”, afinal...?

Caros amigos,

Li dois textos muito interessantes com depoimentos do Papa e de sacerdotes cientistas, sobre declarações do conhecido Stephen Hawking, relativas ao seu livro “The Grand Design” - traduzido e publicado no Brasil como “O Grande Projeto”. Na verdade, eu já havia lido comentários a respeito em outro blog semelhante, que também trata sobre ciência e fé.

Stephen Hawking tem sido bastante competente em seu campo de atuação - circunscrito à ciência - durante décadas. Sua competência levou o Vaticano a indica-lo para a Pontifícia Academia de Ciências.  Stephen Hawking participa desta Pontifícia Academia desde 1986, conforme sua página no site. A Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano indica cientistas de todo o mundo para participarem como membros, com base em seus estudos científicos e sua conduta moral, independentemente de critérios étnicos ou de religião, conforme pode ser constatado em seu Estatuto.

Hawking, entretanto, se manifestou de forma estranha ultimamente, quando sugeriu uma “explicação” científica para o surgimento do universo a partir do “nada”, de forma a descartar a participação de Deus na criação. O Papa Bento XVI se pronunciou recentemente a respeito, assim como também dois sacerdotes cientistas - um deles do quadro do Observatório do Vaticano.

Conforme pode ser lido neste texto (em inglês), Papa Bento XVI comentou, em pronunciamento durante um encontro inter-religioso – do qual participaram líderes de outras religiões – que ciência e religião operam em esferas diferentes, na questão da explicação da existência humana; e disse também que foi Deus mesmo quem colocou esta “saudade d’Ele” no fundo de nossos corações. Além disso, comentou que as ciências humanas e naturais contribuem muito para o entendimento acerca de nossa existência e do universo, porém não são capazes de explicar com uma resposta definitiva sobre nossa origem e destino, sobre o propósito de nossa existência, ou responder à questão fundamental: “Por que existe algo ao invés de nada?” O Papa disse ainda que o livro do Gênesis mostra que Deus quis que o homem buscasse desvendar os mistérios da natureza, quando disse para crescerem e multiplicarem-se, encherem a terra e dominá-la; mas para um bem maior (não para satisfazer aos próprios propósitos).

Como vocês podem ler também no texto (em inglês) com declarações dos dois sacerdotes Jesuítas cientistas - Pe. Robert Spitzer, SJ e Pe. Guy Consolmagno, SJ -, eles comentam que Hawking tenta explicar o surgimento espontâneo e o desenvolvimento do universo, supostamente a partir do “nada”, porém este “nada” a que ele se refere envolve a Gravitação, e outras leis físicas... Bem, se alguém passa a querer denominar a gravidade de “nada”...

Pe. Spitzer atenta para este “detalhe”, explicando que o que entendemos sobre criação, inclui também as leis físicas que governam o universo. Ele explica também que a gravidade tem uma constante universal associada a ela – a Constante Gravitacional, uma dentre outras constantes universais –, e tem efeito sobre a matéria e a energia, e sobre o espaço-tempo. Ele diz que isto seria uma estranha definição de “nada”...

Pe. Consolmagno, SJ, explica que o “deus” em que Hawking diz não acreditar, nem os cristãos acreditam! Ele comenta que Deus não pode ser confundido com uma força na natureza, ou preencher espaços vazios momentâneos, para os quais ainda não temos conhecimento...

Nota do autor do blog: Esta última afirmação seria o tão comentado “Deus das lacunas”, invocado como razão para fenômenos ainda não explicados cientificamente. E quando se descobre a explicação científica para estes fenômenos antes não explicados, será que não precisamos mais de Deus, porque agora temos uma explicação científica para tais fenômenos...? Não, não é assim que nós acreditamos. Para nós, Deus é transcendente – aliás, conforme os próprios sacerdotes cientistas comentam no texto – sendo a causa primeira de toda a existência do mundo; obviamente, não pode ser confundido com nenhuma parte da criação...

Bem amigos, importante divulgar estes textos, e comentar a respeito. Eu tenho alguns livros de Hawking; mas precisamos ter todo o cuidado com que dizem alguns cientistas – vide comentário feito anteriormente neste blog, a este respeito. Lembremos que, em princípio, eles não têm compromisso com as questões de fé – com exceção para sacerdotes cientistas, por exemplo. É muito estranho um cientista tentar definir “nada” a partir de “algo”... Fiquemos atentos, portanto, com o que lemos por aí. Por isso é tão importante nos mantermos informados sobre questões que toquem a fé, de alguma forma, para não “levarmos gato por lebre”, acreditando em qualquer coisa que se diga por aí.

Para complementar, coloco links para alguns textos do blog que eu havia citado, que também trata sobre questões de ciência e fé: este e ainda este sobre Lawrence Krauss, que lançou o livro A Universe from Nothing (que traduzindo seria algo como “Um Universo a partir do Nada”) relacionado à confusão a respeito do “nada”...; além deste e deste outro, sobre Stephen Hawking, e a mesma confusão sobre o “nada”...

Espero ter ajudado, e que tenham gostado!

A busca pelo conhecimento

Caros amigos,

Senti necessidade de tocar no assunto do título deste texto: sobre as consequências das descobertas científicas em nossas vidas. Gostaria de compartilhar esta reflexão.

É notório que grandes empreendimentos de interesse puramente científico, costumam trazer “a reboque” diversos avanços em termos de desenvolvimento tecnológico, revertendo em benefícios para nosso dia-a-dia; apesar disto não parecer tão claro, em um primeiro momento. Às vezes nos deparamos com pessoas questionando a respeito dos investimentos feitos para a realização de pesquisas que, em princípio, teriam interesse somente para a ciência pura, ou seja, para o entendimento da natureza, mas que parecem não impactar em nossa vida quotidiana; questiona-se se, e em que, tanto investimento seria útil à sociedade...

Ultimamente, temos visto notícias a respeito do CERN e da busca pelo bóson de Higgs. Foram bilhões de Euros investidos na construção do acelerador atual, o LHC – o Grande Colisor de Hádrons –, um túnel de cerca de 27 km, a 100 m abaixo do solo, na fronteira entre a Suíça e a França, com todo o aparato tecnológico envolvido. Alguns poderiam questionar sobre os custos elevadíssimos da realização deste grande empreendimento, sobre a mobilização tantos especialistas, e tanto tempo dedicado ao desenvolvimento e construção destes grandes laboratórios. Tudo isto desenvolvido e construído com o objetivo de se descobrir partículas subatômicas, e confirmarem ou aperfeiçoarem leis da física. E vêm as perguntas: O que isto traz de útil à sociedade...? Em quem todo este investimento irá melhorar nossas vidas...?

Claro que, conforme eu comentei no segundo parágrafo, deve ser levado em conta sim, que grandes empreendimentos como este geram também muitos desenvolvimentos tecnológicos, como consequência; muitas vezes é necessário desenvolver novas tecnologias – não existentes no momento inicial do empreendimento científico – para atender às necessidades dos experimentos. Citando o CERN, temos um exemplo claríssimo de consequências úteis à sociedade: o protocolo “www”, que tanto usamos para nos comunicar pela internet, foi criado pelo pessoal do CERN, como uma necessidade para manter tantos pesquisadores, de tantas partes do mundo, em contato! Vejam que maravilha! Algo que não existia inicialmente, e que foi desenvolvido como uma necessidade de um experimento puramente científico, hoje reverte-se para a sociedade, mostrando tamanha utilidade! Como nossas vidas são afetadas por estes desenvolvimentos! Outros exemplos envolvem os métodos de análise desenvolvidos e provados para as tarefas árduas de se identificar partículas subatômicas extremamente fugazes nos experimentos de física de altas energias! Estes métodos são reutilizados para diversas outras aplicações, para tarefas de reconhecimento de padrões em outros campos do conhecimento, inclusive no campo da saúde.

Mas será que devemos justificar a grande importância destes gigantescos empreendimentos científicos, apenas pelas consequências que vemos, depois da empreitada, em termos de desenvolvimentos tecnológicos? Devemos avaliar a importância destas pesquisas científicas somente pela utilidade prática que os métodos e técnicas desenvolvidos têm hoje em nossas vidas? Devemos ser tão pragmáticos a ponto de nos preocuparmos apenas com as aplicações práticas, e somente com aquilo que nos é útil...?

É uma maravilha que haja todo este desenvolvimento tecnológico “a reboque” dos desenvolvimentos científicos! Mas precisamos vislumbrar além... O ser humano tem essa sede de conhecimento, que o move desde a antiguidade! Não trata-se apenas de desenvolver coisas úteis à sociedade... trata-se de nos aventurarmos nesta grande jornada, que é tentar desvendar os mistérios da natureza! Mesmo que estes grandes empreendimentos científicos – como as construções dos aceleradores de partículas no CERN, incluindo o LHC –, não revertessem em nenhum desenvolvimento tecnológico (e sempre revertem!), ainda assim se justificariam perfeitamente! Nem sempre as coisas precisam ter utilidade prática, imediatista, para serem importantes! Ainda que o único resultado de tudo isto fosse apenas conhecimento, valeria a pena, sempre!

Creio que haja uma explicação para esta necessidade de questionar sobre as consequências dos experimentos em física, em termos de desenvolvimento tecnológico. Provavelmente é devido ao fato de as teorias científicas parecerem, em princípio, algo muito distante da realidade, ou da vida das pessoas do público em geral; parece algo que só interessa aos cientistas. Mas na verdade, a aventura de buscar conhecimento e desvendar a natureza, diz respeito a toda a humanidade, de todos os tempos! Onde estaríamos agora, se o ser humano nunca tivesse buscado entender o mundo à sua volta? Estaríamos achando que o mundo seria resumido somente à Terra...? Hoje sabemos o quanto o universo é vasto! E foi uma descoberta feita aos poucos: sistema solar, galáxia, depois descobriu-se que havia mais galáxias, hoje se fala sobre aglomerados de galáxias! Conheceríamos o corpo humano como o conhecemos hoje...? Seríamos capazes de diagnosticar e tratar tantas doenças como fazemos...?

Isto mostra a importância da ciência pura! Mostra também a necessidade de uma boa divulgação científica, de modo a mostrar para o público em geral – de preferência desde cedo, na infância – a beleza da aventura do conhecimento, independente de ter ou não desenvolvimento tecnológico envolvido. Talvez ninguém mais questione, no futuro, se é ou não importante autorizar verbas para instituições e empreendimentos científicos, ainda que eles visem apenas ao conhecimento puro... Uma boa divulgação científica certamente despertaria no público em geral esse “maravilhar-se” com os mistérios da natureza, e com a beleza e a importância da aventura em tentar desvendá-la...

Em última análise, todo ser humano tem esta necessidade de questionar acerca dos grandes mistérios que nos rondam desde que o ser humano existe: “Quem somos...?”, “De onde viemos...?”, “Qual a razão última da existência...?”. Estes questionamentos movem não somente a ciência, mas também a filosofia. E para nós, que conjugamos ciência/razão com fé, ainda há a questão da religião e da fé – complementar à da razão (a qual inclui a ciência) – que contribui na resposta a estes questionamentos; quando a razão – movimento do ser humano em tentar entender as razões da existência – não consegue mais avançar em dar respostas satisfatórias a todos os nossos questionamentos, a fé – pela Revelação Divina – nos indica a razão e o fim últimos...


4. “Impelido pelo desejo de descobrir a verdade última da existência, o homem procura adquirir aqueles conhecimentos universais que lhe permitam uma melhor compreensão de si mesmo e progredir na sua realização. Os conhecimentos fundamentais nascem da maravilha que nele suscita a contemplação da criação(...) Parte daqui o caminho que o levará, depois, à descoberta de horizontes de conhecimentos sempre novos. Sem tal assombro, o homem tornar-se-ia repetitivo e, pouco a pouco, incapaz de uma existência verdadeiramente pessoal.”

25. “ ‘Todos os homens desejam saber’1, e o objeto próprio desse desejo é a verdade.”

1Aristóteles, Metafísica, I, 1.

21. “E a força para continuar o seu caminho rumo à verdade provém da certeza de que Deus o criou como um ‘explorador’ (cf. Ecl 1,13),...”

Logo, amigos, como exploradores, sempre caminhamos na busca pelo conhecimento; busca que se torna mais completa quando conjugamos ciência/razão com fé.

Espero ter ajudado!

Para consultar:
- Carta Encíclica Fides et Ratio do Sumo Pontífice João Paulo II aos Bispos da Igreja Católica sobre as Relações entre Fé e Razão, 1998. Publicado no Brasil pela Paulinas, disponível também online no site do Vaticano.

domingo, 15 de julho de 2012

Seminário Juventude e Bioética (3)

Amigos,

Este fim de semana está acontecendo o "Seminário Juventude e Bioética", conforme eu havia ajudado a divulgar em mensagens anteriores, aqui e aqui. A CNBB, que organiza o evento, divulgou informações novas, o que inclui um texto com comentários gerais sobre o evento e, em particular, sobre uma palestra de Dom Fernando Chomali, da Pontifícia Academia para a Vida. Dom Antônio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, também participa do evento!

Para quem não pode ir, é muito bom poder acessar alguma informação sobre este evento. Neste instante, é possível clicar no link para o vídeo, na página citada acima, e assitir.

Até a próxima!

sábado, 14 de julho de 2012

Pe. Clavius, SJ

Caros amigos,

Escrevi, há algum tempo atrás, um texto no blog sobre o Calendário Gregoriano, resultado de estudos requisitados pelo Papa Gregório XIII, no século XVI. Conforme eu havia comentado, o Papa designara o Pe. Clavius, SJ, Jesuíta e matemático, para coordenar este grupo. Ficou faltando falar mais detalhadamente sobre este sacerdote, o que eu preferi deixar para este novo texto.

Vocês devem lembrar também sobre o evento “Semana Clavius”, ocorrido no Rio de Janeiro, entre maio e junho últimos, que eu ajudei a divulgar, aqui e aqui.

Conforme já comentei em textos anteriores - em particular, no texto “Sacerdotes e/ou religiosos cientistas ao longo da história” -, houve, e ainda há, diversos homens do clero, ou religiosos (irmãos), com forte atuação em diversos campos da ciência, assim como no diálogo entre ciência e religião, ou entre fé e razão. Pe. Clavius, SJ, foi um destes e, mais uma vez, um Jesuíta. Pe. Clavius, SJ, nasceu na Bavaria em 1538 - antes mesmo da fundação da ordem dos Jesuítas. Seu nome, Christoph Clau, foi latinizado para Clavius. Ingressou na ordem em 1555. Iniciou seus estudos em Teologia em 1560, e foi ordenado em 1564. Veio a falecer em 1612. Tendo demonstrado talento para matemática desde cedo, foi enviado por seus superiores para lecionar no Collegio Romano - agora denominada Pontifícia Universidade Gregoriana, o que fez durante 45 anos, até sua morte. A figura a seguir mostra uma imagem do Pe. Clavius, SJ. Foi estimado por grandes cientistas contemporâneos seus, como Tycho Brahe, Johann Kepler e Galileu Galilei, entre outros.


Pe. Clavius, SJ.

Como reconhecimento pelo seu serviço durante a reforma do calendário, consta no túmulo do Papa Gregório XIII. Também uma cratera da Lua recebeu seu nome, conforme mostrado nas figuras seguintes. Aliás, esta é uma das diversas crateras da Lua nomeadas em homenagem a Jesuítas! Mas este é um assunto para outro texto; aguardem. Interessante de notar (por pura curiosidade), as crateras secundárias (menores) situadas dentro da cratera Clavius; em sentido anti-horário, o tamanho destas crateras reduz progressivamente, e são nomeadas da seguinte forma: crateras Clavius D, C, N, J e JA. Para maiores detalhes, ver o seguinte link.

Cratera na Lua nomeada em homenagem ao Pe. Clavius, SJ, em foto da NASA1.
1Foto disponível na Wikipedia sobre a cratera lunar Clavius.

A cratera Clavius é mostrada também no mapa obtido do Google Moon, a seguir; fica bem próxima à cratera Tycho, esta em homenagem ao cientista já citado anteriormente. Clique na figura para ampliá-la, e ver os detalhes da legenda.

Cratera na Lua nomeada em homenagem ao Pe. Clavius, SJ, vista no Google Moon.
Curiosidades à parte, em relação à cratera lunar, vejamos algumas contribuições do Pe. Clavius, SJ. Ele escreveu 19 livros, sendo os seguintes os mais conhecidos:

- Euclid elementorum, de 1589;

- Geometrica practica, de 1604;

- Opera mathematica, de 1611.

O primeiro, Euclid elementorum, contém obras de Euclides, com comentários e avaliações importantes sobre seus escritos.

Além destes escritos, houve uma grande quantidade de correspondências entre Pe. Clavius, SJ, e importantes cientistas contemporâneos seus. Algumas destas estão guardadas na Pontifícia Universidade Gregoriana. As 291 correspondências mostram sua reputação, já que além de cientistas, há também outros correspondentes ilustres como reis, imperadores, bispos e papas. Kepler e Galileu foram seus amigos.

Opera mathematica é uma compilação de trabalhos teóricos e aplicados sobre matemática, dentre os quais, a explicação sobre a reforma do calendário, de 800 páginas...

Espero que tenham gostado!

 



(Modificado em 02/08/2012):
Segue o link do lançamento, pelo Vaticano, de um selo comemorativo pelo Quarto Centenário da Morte do Pe. Christopher Clavius, SJ. O texto (em inglês) tem um resumo sobre sua vida e atuação.